Sua missão + 0 comment(s)
Maria acordou naquela manhã com muito frio. Era um dia de inverno e ela já estava atrasada para a escola. Pensou em não ir, mas tinha que honrar seu compromisso, afinal, seus pais trabalhavam o dia todo para proporcioná-la a melhor educação. Sentiu que estava fazendo o maior esforço do mundo, mas largou o edredom e foi escovar os dentes, tendo que tocar na água congelante.
Na escola,
além de todas as suas cinco amigas terem faltado, Maria ainda tinha esquecido
os foninhos de ouvido, os óculos e um livro interessante para ler. Como chegara
atrasada, tivera que se sentar na última carteira, dificultando ainda mais a
visão do quadro sem os óculos. Toda hora Maria olhava para a porta, esperando
alguma amiga chegar ou alguma coisa acontecer para tirá-la do tédio em que se
encontrava.
Encolhida
na carteira, tentando compensar o frio cortante que entrava pelas frestas da
janela, Maria decidiu escrever. Não era o melhor jeito de cumprir suas
obrigações na escola, ela sabia. Porém, ouvir sobre potencial de redução em uma
aula cansativa de química não era a melhor forma de fazer o tempo passar.
Começou a
pensar em quais das suas muitas ideias iriam parar naquelas linhas azuis do seu
caderno. Resolveu escrever sobre uma aventura, na qual Roberta, personagem principal,
viajava pelo continente americano buscando entender as sociedades diferentes da
sua e fazer amigos. Roberta enfrentava os seus medos, reais ou imaginários, e
ajudava as pessoas.
Maria não escrevia para que os outros lessem e a elogiassem. Escrevia, principalmente, para expor seus pensamentos e opiniões, embora eles não fossem nem atrativos nem especiais. Ela carecia da atenção que o papel e a lapiseira lhe davam.
Quando Maria parou de escrever loucamente e olhou ao seu redor, observou peruanos, mexicanos, argentinos e chilenos. Todos estavam encarando-a, instigando-a a conhecê-los, a inventá-los. Ela notou que queria a vida da Roberta, sempre tão agitada e pouco repetitiva.
Quando Maria parou de escrever loucamente e olhou ao seu redor, observou peruanos, mexicanos, argentinos e chilenos. Todos estavam encarando-a, instigando-a a conhecê-los, a inventá-los. Ela notou que queria a vida da Roberta, sempre tão agitada e pouco repetitiva.
A sua própria vida, contudo, era
melhor. Através da leitura e da escrita, ela podia não só viajar pela América
como também pelo mundo inteiro. Poderia desbravar universos distintos e os
recôncavos da sua própria mente.
De repente, Maria sorriu com o pensamento de não estar presa a um lugar. Ainda bêbada das aventuras de Roberta, olhou para frente e percebeu que a aula havia acabado. Suas escritas não só a transportavam para outros lugares, mas também para outros tempos. Escrever era a sua essência e a sua missão.
PS.: arrumar parágrafos por aqui não é legal, eu ainda não sei direito.