Girl, Interrupted + 0 comment(s)


O filme "Garota, Interrompida" conta a história de Susanna Kaysen, uma jovem que deseja tornar-se escritora e que é diagnosticada com borderline, doença também conhecida como ordem incerta de personalidade. A personagem, muito bem interpretada por Winona Ryder, interna-se em um hospital psiquiátrico, influenciada pela família. No hospital ela conhece realidades diferentes da sua, faz amigos que não imaginou fazer algum dia e, ao longo do tempo que passa no local, vai melhorando sua escrita e se descobrindo.
A princípio a jovem não sabia ao certo o motivo de estar internada em um lugar cheio de gente visivelmente doida. Ela diz não ter tentado se matar, mas ter desejado que a dor que a consumia internamente passasse. Ao decorrer do filme Susanna entende e reconhece ter uma doença, mesmo que tudo ainda fosse confuso para ela.

"How the hell am I supposed to recover when I don't even understand my disease?"


Outra personagem muito presente no filme é a Lisa Rowe (Angelina Jolie). Ela é "um caso perdido" que já está no hospital há oito anos e vive fugindo de lá, sem sucesso. Uma sociopata que controla as outras garotas de sua ala e, segundo outra personagem chamada Janet: "Lisa thinks she's hot shit cause she's a sociopath."  Lisa e Susanna tornam-se grandes amigas e essa amizade, tem hora, é tanto benéfica quanto maléfica para elas. 


No próprio nome do filme, "Garota, Interrompida", pode-se inferir que a vírgula presente nele é utilizada para dar uma pausa na fala, interrompê-la.

Uma das minhas cenas preferidas passa quando as duas personagens principais fogem juntas e vão para a casa de uma terceira personagem, Daisy. Depois de passar a noite lá, Susanna acorda e vai andar um pouco, sendo seguida até a varanda pelo gato da Daisy, o qual parece ser o único ser vivo ainda sadio naquele lugar. Eu gosto dessa cena porque a câmera é colocada em um determinado ângulo e o pequeno animal anda até ela, de modo que as grades da varanda parecem grades de uma prisão. O sadio fica preso enquanto o louco fica solto. O louco aproveita a vida, diferente do sadio. Pelo menos essa foi a minha visão daqueles curtos minutos. 


O filme tem várias reflexões e crises existenciais das personagens. No fim, eu acredito que Susanna não perdeu seu tempo lá no hospital. Ela teve, sim, a vida que conhecia interrompida para que pudesse encarar o desconhecido e desfrutar o que precisava; explorar novos ambientes para encarar o que havia dentro de si.


Quem ainda não assistiu à obra pode dar um jeito de assistir.